domingo, 25 de janeiro de 2009

Benditas sejam as tempestades

As plantas mais resistentes não são as que crescem no meio da floresta, ao abrigo das tormentas. São as que se encontram na periferia e recebem vento de todos os lados.

O vento as encurvam e as retorcem e é assim que elas se tornam gigantescas.

Para que as raízes das árvores se fortaleçam, é preciso que elas sejam açoitadas por ventos e temporais.

E é essa planta que, no meio da campina, se mostra adequda para abrigar o gado e o rebanho. A terra ao seu redor é dura. A chuva é de pouca valia para ela, pois a água escorre e vai embora.

Então vêm as tempestades. A árvore se contorce, se retorce e verga quase arrancada pelas raízes.

Se falasse, certamente iria reclamar amargamente desse “castigo”. Será que, nesse caso, Deus não a deveria atender e fazer cessar a tempestade?

A ventania faz a planta se dobrar ao meio. Parece enraivecida. Será que tanta crueldade tem algum propósito. Isso é amor?

O solo ao redor da árvore agora está todo aberto. Há grandes e profundas rachaduras por ali. Um desavisado talvez as veja como dolorosas feridas. Então vem a chuva, com sua abençoada missão.

As “feridas” se enchem de água, que penetra profundamente na terra, alcançando até as mais distantes pontas da raiz.

O sol volta a brilhar. Uma nova e vigorosa vida brota da planta. As raízes se aprofundam cada vez mais. Os ramos crescem e se distendem.

E ouve-se um estalo, como se fosse um tiro, “suas roupas” ficaram pequenas para ela. Está crescendo como um gigante. Está se aprofundando cada vez mais.

É dessa árvore que todos querem tirar as vigas que sustentarão seus lares.

É dela que o marceneiro fará os mais requintados móveis.

Os estaleiros anseiam encontrá-la para construir seus navios.

Sempre que, em nosso meio, encontrarmos um “gigante”, pensemos no caminho que ele já percorreu. Ao certo, não foi sempre uma estrada ensolarada, ladeada de flores. Pode ter sido uma trilha estreita, íngreme, pedregosa, onde as rajadas de vento quase o derrubaram. Ali, as rochas pontiagudas podem ter ferido seus pés. Os espinhos podem tê-lo arranhado.

Mas, como todo aquele que não se deixa morrer pelas envergaduras da vida, se levanta, cura as feridas, aproveita as gotas de chuva e a escuridão momentânea para enxergar além. Como a árvore, torna-se um marco, um porto seguro para aqueles que buscam abrigo embaixo de suas copas.

Eu conheci e aprendi com um gigante. Eu conheço e aprendo com um gigante. Eu convivo com alguém que pretende ser gigante.

Adaptado de Fontes no Vale
Lettie Cowman
Fotos: meu pai, minha mãe e meu marido.

3 comentários:

Anônimo disse...

Raquel,
Esta apostila de exercicios da PGE de R$ 21,00 é a mesma que esta sendo vendida no Cegm?
Beijos

Luisa disse...

Nao assinei o comentario... rs
Beijos,
Luisa

Professora Raquel Tinoco disse...

É sim.

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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