segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Pata

Gente, gente... Hoje eu quase morri de rir pela manhã.

A Neuza estava atrasada, fiquei preocupada.

Logo, lá pelas 09:30 h ela chega, esbaforida, cansada... O diálogo começa:

- O que houve Neuza? Tudo bem por lá? Por que chegou tão tarde?

- A minha pata, Raquel. Ela fugiu.

Deixem-me abrir aqui um parênteses. A Neuza ganhou uma pata-choca de um vizinho nosso. Uma pata com treze patinhos!!! O nome da pata? Débora. Ah, não liguem, é o nome de uma das filhas dela. Paulo não estava em casa e ela precisou levar a pata e a prole dentro de um saco, de ônibus e, como não teve coragem, foi a pé. Os patos na maior algazarra daqui até lá. kkkkkk

Mas o pior está por vir. Fecho o parênteses.

- Como fugiu???

- Eu falei pro Nei (marido) cortar a asa dela, mas ele, né... não ouviu. Aí, de manhã, quando vinha para cá, olhei e vi a pata em cima do muro. Pensei: "não, não é ela não". Fui até o cercadinho e lá estavam os patinhos sem a mãe. Corri até o muro e quando levei a mão... flap, flap, flap (sonoplastia minha)... Lá se foi a Débora. E sabe pra onde? Pro cemitério!!!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Desculpe, gente, desculpe, mas vocês precisavam ter ouvido a história ao vivo... é muito mais engraçado. Continuemos, então.

- Eu pensei: "ah, não, no cemitério eu não entro, mas como vou pegar a Debby?" (apelido colocado por mim). "Ah, peraí que eu vou ligar pro Nei. A culpa é dele".

"Nei, pode ir vindo aqui me ajudar a pegar a Débora".

"O quê???"

"É, a Débora, você deixou a asa dela grande e ela está no cemitério... Eu não vou lá sozinha, não".

"Mas, Neuza... eu tô trabalhando!!!"

"Não quero saber!!! Pode ir vindo".

"Tá bom, tá bom".

Chega o Nei de bicicleta. Entraram os dois no cemitério de Guapi.

"Vem, filhinha, vem com a mamãe, vem". Nada da Débora descer. Sobrevoava o cemitério, feliz, feliz...

"Nei, só tem um jeito. Vamos lá em casa pegar uns patinhos e aí eles chamam a mãe".

"Tá doida, Neuza!!! Trazer patinho pro cemitério? Ah, não, isso não!!!"

"Ah, sim, isso sim. Isso, sim, senhor!!! Vamos lá!"

"Ai, meu Deus. Que mico".

"Quatro patinhos dá, Neuza?"

"Dá, sim, Nei. Traz logo!!!"

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

"Solta aí, na tumba".

"Ai, meu Deus. Tomara que ninguém me veja aqui. Só você mesmo Neuza".

"Pó pará, pó para. Se tivesse cortado a asa eu não estava aqui pagando esse king. E tem mais, se eu chegar lá na Raquel e ela brigar comigo... ah, você vai ver."

"Cut, cut, cut... vem aqui queridinha..."

"quac... quac... quac..." A pataiada no cemitério, dentro de uma gaveta recém-aberta para receber um defunto.

A Debby tentando livrar os filhotes daquela situação vexatória, finalmente pousou e foi aquele auê.

"Péga, Nei, péga. Se fugir de novo você me paga".

"Péra, Neuza, me ajuda aí. Cala a boca você vai espantar a pata. Aí você vai se virar sozinha. Já chega o king que eu tô pagando aqui. Era pra eu tá trabalhando e tô aqui caçando pato no cemitério. Essa pata nem é minha, nem fui eu que ganhei. Ahhhhh... Vem, filhinha, cut, cut, cut..."

"PEGUEEEEEEEEI!"

"Segura ela Nei que eu pego os patinhos".

Final feliz. Toda a família retorna para casa e, Nei e Neuza seguiram aos seus locais de trabalho. Não sem antes cortar a asa da Debby.

Como você sabe, a D. Neuza acabou chegando atrasada devido ao atrapalho patal. Se tudo isso é verdade, eu não sei, mas me fez rir e muito!!! Não podia deixar de contar pra vocês. Como brigar depois disso??? Dava até para ter trilha sonora: "lá vem o pato, pato aqui, pato acolá..."

Neuza... Neuza... Melhor que isso, só quando você junta com a Ruth.

Pena que eu não estava lá para fotografar!!! kkkkkkkkkkkkkkkkk
[...]

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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Proibida a cópia, sem autorização, dos textos, fotos e material de aula aqui apresentados©2009 Professora Raquel Tinoco | by TNB