domingo, 17 de abril de 2011

Sempre ao meu lado...

Se você viu Richard Gere com o seu akita (Hachi) vai entender perfeitamente o Jiló.  

Acho que ele até poderia trabalhar no filme, claro, não fosse obrigado a permanecer tantos anos naquela estação. Acho que isso ele não conseguiria, com toda sua hiperatividade. rsrs

Mas... acho que se eu ficasse por ali... quem sabe? 

Jiló é um cão apaixonado. Está sempre ao meu lado. Tive bichos e bichos de estimação.

Pode apostar, alguns até esquisitos, como, por exemplo, aqueles ratinhos ameaçados de morte quanto morei em Senador Camará. 

Minha mãe estava decidida a acabar com aqueles camundongos que passavam, vez ou outra, pela casa, correndo. Descobri o ninho dos ratos antes dela e resolvi salvá-los. No quintal havia uma pilha de tijolos destinados à construção da casa de meu irmão. Acho que não consegui salvar a mãe, pois no dia D ela não estava lá. Peguei todos os filhotes pelo rabinho, um a um e os coloquei nos buraquinhos dos tijolos. 

Como me senti? 

A própria Santa Francisca de Assis. 

Calma aí. Eu só tinha seis anos. Hoje, nem todo o meu amor por bichos me daria tanta coragem. Como a gente muda, né?

Ah, também já tive aqueles pintinhos coloridos que os caras pintavam e trocavam por garrafas de vidro. Depois de algum tempo, percebia que todos eram brancos. Mas eram meus. Ai de quem pensasse em almoçá-los ou jantá-los. Um até dormia na cabeceira da minha cama, empoleirado!!!

Muitos coelhos, preás, gatos e cães passaram pela minha vida e ainda continuam passando, mas... o Jiló... 

Nada comparado ao que vivi! Todos os dias, a mesma rotina. 

Manhã: Jiló parado na porta esperando que alguma boa alma venha abri-la. De repente, a boa alma. Ele entra, vasculha o ambiente e lá se vão gatos para todos os lados. rsrs 

Sobe os degraus, apoia o queixo sobre a minha cama e fica ali esperando que eu acorde.

Abro os olhos. Um salto sobre a cama e quinhentas mil lambidas!!! Jilóóóóóóó... 

Ele deita no chão, do mesmo lado da cama em que eu estou e aguarda pacientemente que eu me levante. A partir de então começa a peregrinação:

1. Porta do banheiro...
2. Ajudando-me a cuidar da Ruth... "Lá vem o cachorrão!!! Ele não te larga, né minha filha? Ai, não me lambe, não!!!"
3. Ao lado da mesa do café...
4. Na cozinha enquanto pego água...
5. Ajudando-me a colocar roupa na máquina (no caminho corre atrás de uns gatos)...
6. No quintal, disfarçado de flor ou de folhagem enquanto fotografo pássaros...
7. Na porta do banheiro aguardando que eu dê banho na Ruth...
8. Ao lado do rack, embaixo do rack...

etc.

Ele não come, não faz xixi, não bebe água... incrível!!! Só seu eu sair do lugar onde estou. 

Para tomar remédio, lá vou eu levá-lo para o Paulo. Pode chamá-lo o quanto quiser. Pode oferecer a melhor das guloseimas. Se eu não disser "vai lá, Jijo", ele permanece imóvel, indiferente. 

Se começo  a escolher a roupa com que vou sair, ele já deita na cama da Prince e fica ali, com uma cara que nem consigo olhar. Um pobre coitado!!! Vai ser abandonado pela dona!!! É terrível!!!

Saio e ele vem me seguindo até o portão. Às vezes deita de costas, de mal. Outras, fica ali, com aquela cara, aquele olhar... Ui...

Todos os dias quando chego é o único que está lá, no portão. Percebe o barulho do carro. Mil pulos depois, entra comigo em casa e mais uma etapa de peregrinação até que eu me acomode para dormir. 

De novo, ele deita no chão do mesmo lado em que eu estou e ali fica, disfarçado de estátua. Tem medo que Paulo o aviste e profira a sentença de morte: "Pra fora, Jiló!" 

Levanta, olha pra mim e aguarda: "Boa noite, Jijo. Até amanhã". 

Ele sai, aguarda o amanhecer e sonha: "vou estar sempre ao seu lado." 

[...]

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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