domingo, 14 de setembro de 2008

Histórias de Sucesso







Às vezes, quando escrevo sobre alguém que venceu adversidades e alcançou o sucesso, fico pensando como isso é visto pelos meus leitores.


Talvez digam: "isso parece tão inatingível..." "Jamais serei como um deles..."

Heróis e heroínas existem e estão muito mais perto de nós do que imaginamos.

Hoje vou contar-lhes outra história. A história de outra heroína.

Nizete Fontoura Slompo, D. Nizete, como a chamo, nem sempre se chamou assim. Enquanto solteira era conhecida pelo nome de Nizete Martins Fontoura e adotou o sobrenome Slompo após casar-se com Antonio Noir Slompo.

Nasceu em Guarapuava-PR, aos 06 dias do mês de maio do ano de 1942 .

Casou-se aos 20 anos, em 20 de abril de 1963.

Pensou que seus sonhos tinham começado a se concretizar. Como as moças daquela época, tinha tudo o que sonhou ter. Um lar. Uma linda casa, bem mobiliada e posição social. Vieram os filhos, Paulo Maurício e Ana Paula. O que mais poderia querer? Tinha tudo o que uma mulher de sua época poderia desejar.

Mas não podia supor o que viria. De uma forma trágica e traumática ficou viúva muito cedo, aos 28 anos e com dois filhos para criar.

Seus sogros não a compreenderam. Achavam que não teria condições de, sozinha, sustentar seus filhos. Queriam a guarda das crianças. Foi culpada por seu infortúnio e, um a um, viu seus belos móveis serem retirados de sua casa, com a alegação de que tinham sido presenteados pela família de seu falecido marido. Se viu só e sem recursos. A casa foi ficando vazia. Mas D.Nizete ainda não tinha consciência de sua força, de que fibra era feita. Foi então que o diamante começou a ser lapidado.

Foram dias negros em que precisou ser movida à determinação e esperança.

Sua mãe, Maria Cândida, mudou-se para sua residência no intuíto de ajudá-la no sustento da família.

Embora possuísse capacitação para o magistério, D. Nizete, ao se casar, optou pela vida do lar. Sua mãe, aposentada da antiga LBA (Legião Brasileira de Assistência), complementava o orçamento costurando durante à noite e finais de semana.

Foi a única opção naquele momento. D. Nizete também passou a costurar.

Pouco tempo depois, um vizinho lhe ofereceu emprego na Prefeitura de Guarapuava. Passou então a costurar e a trabalhar na parte administrativa da merenda escolar do município.

Foram dias difíceis. Dois filhos pequenos, em idade escolar, ainda possuía forças para ajudar seu irmão que naquele momento cursava medicina em Curitiba.

Mas não se acovardou. Ao invés de passar seus dias em lamúrias e incertezas, dedicou o tempo que dispunha à sua vida profissional e aplicou-o o máximo que podia na realização de seus novos sonhos.

Aqueles sonhos antigos deram lugar a novos sonhos. Foi reconhecida. Chegou a supervisora da merenda escolar no município e foi convidada para coordenar a campanha nacional da alimentação escolar em âmbito regional, abrangendo nove municípios do Paraná. E assim permaneceu por alguns anos. Foi pioneira nas diversas formas da utilização da soja como ingrediente na alimentação. Criou receitas e técnicas para o aproveitamento máximo do grão. Viajou por vários estados ministrando cursos sobre a incrementação da soja na merenda escolar.

Mas não parou por aí. À medida que os sonhos iam se realizando, descobriu que era possível continuar sonhando.

Em 1979, foram abertas inscrições para um concurso no INSS. Pensou: "vou fazer e vou passar". Não possuía recursos. Não tinha dinheiro para comprar apostilas. Não tinha dinheiro para freqüentar cursos preparatórios. O que fazer? Desistir?

Não. Descobriu que uma amiga possuía uma apostila antiga do concurso anterior. Não se fez de rogada. Mandou seu filho à casa da amiga buscar a apostila e estudou, estudou, estudou... O tempo que lhe restava entre os cuidados da casa, costura e trabalho era dedicado aos estudos.

O sucesso veio em 1980, quando, ao ser realizado o concurso, ficou classificada em 36º lugar. Agora, era oficialmente uma servidora da União.

Mas ainda não era suficiente para dar aos filhos aquilo que almejava. Aceitou, pela sua reconhecida capacidade, um convite para ser diretora de escola.

Agora, além de servidora da União, era diretora de escola e costureira. Não se arrepende.

Conseguiu dar aos filhos uma educação escolar de primeira.

Hoje ela é servidora inativa da União. Às vezes, ao passar por alguns problemas, ela me pergunta: "sabe, Raquel, fico pensando, onde foi que eu errei?" Eu respondo: "a senhora não errou, é vitoriosa, é vencedora e sei que seus filhos reconhecem isso."

D. Nizete é uma pessoa simples e alegre. Ama a vida e deixou no passado aquilo que poderia derrotá-la.

Talvez ela nem saiba, mas é exemplo em minha vida. Exemplo de determinação e coragem.

Talvez vocês nem saibam, mas D. Nizete é minha sogra.

Ah, e continua sonhando...

3 comentários:

Paulo disse...

Eu sou supeito em falar, uma vez que D. Nizete é minha mãe. Cresci vendo sua força e determinação, sua garra, encontrando nas migalhas, material para construir um castelo. Com certeza, o mundo seria infinitamente melhor se houvesse nele mais Nizetes. A quem honra, honra.

Professora Raquel Tinoco disse...

Resolvi publicar aqui um e-mail que a "Tia Sueli" enviou para o Paulo.

"Acabamos de ver , eu e Dani o que a Raquel escreveu sobre a Nize. Choramos. Como irmã digo mais. Nizete sinônimo de fibra,valentia, "implicância", esteio de familia(desde criança).
Fui criada por ela. Soube da adversidade fazer vitória. Paulão e Ana Paula, só ela conseguiria fazê-los especias como são. Não ficou satisfeita e partiu pra próxima geração. Ana Clara e PJ, serão criaturas maravilhosas e vitoriosas pois a mão da Nize esteve e está ali.
Bjos"

Si disse...

D. Nizete,
obrigada pela sua história de luta, garra, sabedoria, amor, coragem...
Você é uma mulher guerreira e mãe muito especial.
Com esses exemplos de vida é que me dá força para jamais desistir de lutar dos meus sonhos.
Beijos
Si

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

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