quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Último Discurso

O último discurso

de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Conheça a Banca

Os candidatos a uma vaga no setor público devem, além de estudar as disciplinas previstas no edital, saber o estilo de prova de cada banca organizadora.

O G1 consultou especialistas da área para falar sobre cinco das principais organizadoras do país, que são responsáveis por concursos que envolvem grande número de concorrentes. Para eles, é fundamental que os candidatos façam provas anteriores para justamente se adaptar aos diferentes tipos de exames.

“Se o candidato analisa a prova antes de iniciar o estudo das matérias básicas, já direciona o estudo para aquela banca, já sabendo se as questões são mais teóricas ou objetivas, se interpretação conta mais que conhecimentos de gramática, se as questões são mais longas ou mais curtas”, diz Fábio Gonçalves, diretor executivo do curso preparatório Academia do Concurso.

Segundo ele, o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) é a banca que mais difere das demais, pois é a única que aplica provas com questões no formato certo e errado e não de múltipla escolha.

“Esse modelo é excelente para o aluno que vem se preparando com antecedência, pois o Cespe/UnB traz questões multidisciplinares, envolvendo várias matérias na mesma pergunta.”

Gonçalves orienta o candidato a estudar, independente da banca, de forma multidisciplinar.

“Muitos alunos preferem estudar todo o conteúdo de determinada matéria e depois entrar em uma segunda disciplina. O que ocorre é que quando chega na terceira disciplina já esqueceu a primeira. O ideal é estudar uma matéria por dia.”

Para José Wilson Granjeiro, diretor financeiro-pedagógico do curso preparatório OBCursos, a grande dificuldade nas provas no Cespe/UnB é que os textos das questões e das respostas são longos, e o candidato pode não conseguir terminar a prova a tempo. “Tem que estar bem treinado, responder as que sabe rapidamente e, se tiver dúvida, pular a questão.”

Acertos mínimos

Gonçalves destaca que os candidatos devem prestar atenção no mínimo de acertos exigidos para cada prova. “Uma das grandes características da Esaf (Escola de Administração Fazendária) é pedir um mínimo de acertos por disciplina. No último concurso para auditor fiscal da Receita Federal, por exemplo, a Esaf exigiu mínimo de acerto de 40% por disciplina”, diz Gonçalves.

Segundo ele, no caso da Cesgranrio, foi exigido mínimo de acerto de 60% por grupos de matérias (disciplinas que têm conteúdo em comum, como os diferentes tipos de direito, por exemplo) no concurso da Petrobras realizado no ano passado. “Mas a prova apresentou textos relativamente curtos e com questões bem objetivas”, diz Gonçalves.

De acordo com Granjeiro, a Cesgranrio costuma extrair textos de revistas para os enunciados, e os textos para interpretação são longos. Além disso, as questões de raciocínio lógico e matemática costumam ser trabalhosas.

No caso da Esaf, segundo Granjeiro, o candidato pode encontrar maior dificuldade na prova de português, pois os textos e as alternativas costumam ser extensos.

Ele diz que nas provas da Fundação Carlos Chagas, os enunciados das questões costumam ser longos, mas as alternativas são diretas.*

Nota: Eu particularmente acho que os enunciados do Cespe/Unb costumam ser longos, assim como as provas da Esaf. O Cespe é uma banca que exige maior raciocínio, não gosta de letra de lei.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos

A Prova

BANCA

TIPO DE PROVA

Cespe/Unb

Questões do tipo certo ou errado. Cada opção poderá estar certa ou errada, independente uma do outra. Cada item que o candidato errar anula um que acertou. Porém, as questões que não forem respondidas não serão computadas. Os itens não vêm separados por matéria. Assim, para um mesmo texto dado pode-se fazer perguntas de português, matemática, atualidades ou informática, por exemplo. *

ESAF

Geralmente, questões do tipo múltipla escolha.

FCC

Geralmente, questões de múltipla escolha.

CESGRANRIO

Geralmente, questões do tipo múltipla escolha.

VUNESP

Geralmente, questões do tipo múltipla escolha.

NCE

Geralmente, questões do tipo múltipla escolha.


Obs. As tabelas foram retiradas de uma matéria do G1. O NCE não está na matéria originária, mas foi incluído por mim, pois acho que também merece destaque pelo número de concursos que tem realizado. O Cespe/Unb, embora tradicionalmente utilize questões "certo", "errado", "sem resposta", também elabora provas de multipla escolha, pricipalmente as destinadas a Tribunais.

A Fundação Carlos Chagas, cuja tradição é a múltipla escolha, inovou em concursos de 2008 com as seguintes fórmulas:

TCE-Amazonas - Assistente de Controle Externo - 2008

Instruções: Para responder às questões de números 47 e 48, assinale

(A) se apenas a afirmativa I estiver correta.
(B) se apenas a afirmativa II estiver correta.
(C) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
(D) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
(E) se as afirmativas I, II e III estiverem corretas.

47.

I. O servidor público adquire estabilidade após o decurso de 3 (três) anos de efetivo exercício, qualquer que seja a forma de provimento no cargo.
II. É permitida a cumulação de cargo de professor com outro de natureza técnica ou científica, desde que haja compatibilidade de horários.
III. São assegurados constitucionalmente aos servidores ocupantes de cargo público os direitos a férias e indenização no caso de dispensa imotivada.

48.

I. Reintegração é o ato pelo qual o admitido reingressa no serviço público, em decorrência de decisão transitada em julgado.
II. Transferência é a progressão do servidor na série de classes, consistente na passagem da referência que se encontra para a imediatamente superior.
III. Reversão é o ato pelo qual o aposentado é reintegrado ao serviço público.

TCE-Amazonas - Analista Técnico de Controle Externo - 2008

Instruções: Nas questões de números 39 e 40, são feitas duas afirmações. Assinale, na folha de respostas,

(A) se as duas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
(B) se as duas são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira.
(C) se a primeira é verdadeira e a segunda é falsa.
(D) se a primeira é falsa e a segunda é verdadeira.
(E) se as duas são falsas.

39. A lei não poderá estabelecer condições para o exercício de atividade econômica, salvo para disciplinar, com base no i nteresse nacional, os investimentos de capital estrangeiro

PORQUE

A Constituição da República assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, sem ressalvas.

40. A Constituição do Estado do Amazonas estabelece que, em matéria de legislação concorrente, diante da inexistência de lei federal, ou se esta for omissa, quanto ao aspecto regional, o Estado exercerá a competência legislativa plena

PORQUE

A Constituição da República prevê que, no âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

A elaboração das questões

BANCA

GRAU DE DIFICULDADE

Cespe/Unb

Predominam questões com grau de dificuldade média, apesar de também apresentar questões fáceis e difíceis. *

ESAF

Predominam questões com grau de dificuldade média e difícil.

FCC

Predominam questões com grau de dificuldade média e difícil. *

CESGRANRIO

Predominam questões com grau de dificuldade média, apesar de também apresentar questões fáceis e difíceis.

VUNESP

Predominam questões com grau de dificuldade média, apesar de também apresentar questões fáceis e difíceis.

NCE

Predominam questões com grau de dificuldade média, apesar de também apresentar questões fáceis e difíceis.


Obs. Eu particularmente acho que as questões do Cespe/Unb apresentam maior grau de dificuldade que as da Fundação Carlos Chagas. Lógico que as bancas podem inovar, com provas mais fáceis ou difíceis, mas seguem uma tradição.

Como estudar

BANCA

ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS

Cespe/Unb

Como é um tipo de prova incomum, é importante que o candidato resolva questões de concursos anteriores realizados pelo Cespe. Suas questões costumam abordar apenas alguns tópicos do conteúdo programático, assim, inicie seus estudos pelos tópicos principais.

ESAF

Como realiza muitos concursos, as questões de matérias básicas são muito parecidas umas com as outras. Assim, convém estudar questões de provas anteriores de matérias básicas como português, informática, raciocínio lógico, direito constitucional e matemática. Quando estudar matérias específicas, dê preferência aos assuntos mais importantes.

FCC

Em suas provas, a FCC procura perguntar sobre todo o conteúdo programático do concurso. Assim, é interessante estudar todo o programa do concurso e não somente os tópicos principais. Também é importante resolver as questões dos concursos anteriores.

CESGRANRIO

Como realiza muitos concursos, as questões de matérias básicas são parecidas com as de outros concursos. Quando estudar matérias específicas, dê preferência aos assuntos mais importantes.

VUNESP

Em suas provas, a Vunesp procura perguntar sobre todo o conteúdo programático do concurso. Assim, é interessante estudar todo o programa do concurso e não somente os tópicos principais. Também é importante resolver as questões dos concursos anteriores.

NCE

Em suas provas, o NCE procura perguntar sobre todo o conteúdo programático do concurso. Assim, é interessante estudar todo o programa do concurso e não somente os tópicos principais. Também é importante resolver as questões dos concursos anteriores.

Como resolver as questões

BANCA

ORIENTAÇÃO PARA A RESOLUÇÃO DE PROVAS


Cespe/Unb

Como a prova não é organizada por disciplina, o candidato deve resolver inicialmente as questões mais fáceis na ordem que aparecer. Como as questões erradas prejudicam a pontuação do candidato, deve-se evitar os chutes ao máximo. *




ESAF

A prova é elaborada de maneira que, mesmo os candidatos bem preparados dificilmente conseguem resolver todas as questões, pois falta tempo. Assim, o candidato deve inicialmente resolver as questões mais fáceis de todas as matérias, e não de uma única matéria. Deve estar consciente que encontrará questões difíceis e trabalhosas que deverão ser resolvidas no final, se houver tempo.



FCC

Como em suas provas as questões vêm organizadas por disciplina, inicie resolvendo as questões mais fáceis das disciplinas e que tiver mais facilidade e, a seguir, as questões mais fáceis das demais disciplinas. Só então resolva as questões mais difíceis e trabalhosas.



CESGRANRIO

Como em suas provas as questões vêm organizadas por disciplina, inicie resolvendo as questões mais fáceis das disciplinas e que tiver mais facilidade e, a seguir, as questões mais fáceis das demais disciplinas. Só então resolvas as questões mais difíceis e trabalhosas.



VUNESP

Como em suas provas as questões vêm organizadas por disciplina, inicie resolvendo as questões mais fáceis das disciplinas e que tiver mais facilidade e, a seguir, as questões mais fáceis das demais disciplinas. Só então resolvas as questões mais difíceis e trabalhosas.



NCE

Como em suas provas as questões vêm organizadas por disciplina, inicie resolvendo as questões mais fáceis das disciplinas e que tiver mais facilidade e, a seguir, as questões mais fáceis das demais disciplinas. Só então resolvas as questões mais difíceis e trabalhosas. O NCE tem por tradição maior dificuldade nas questões de Língua Portuguesa.


O Cespe/ Unb, em questões de múltipla escolha, organiza sua prova por assuntos.

domingo, 29 de março de 2009

Simples, simples assim...

A covardia pergunta: "É seguro?"

O comodismo pergunta: "É popular?"

Mas a consciência afirma: "É correto!"

E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

Martin Luther King

Música dos anjos...

Ole Bull, que em seus dias, era o violinista mais famoso do mundo, gostava muito de fazer caminhadas. Conta-se que, em certa ocasião, ele se perdeu em uma floresta muito densa.

Na escuridão da noite, foi dar em uma choupana onde morava um velho erimita. Este o acolheu serviu-lhe um alimento e o agasalhou.JustificarApós o jantar, os dois se sentaram em frente à fogueira. Então o ermitão pegou uma velha rabeca, já muito desgastada, e se pôs a tocá-la, extraindo algumas notas toscas e estridentes.

A certa altura, Ole Bull lhe disse:

"Acha que eu poderia tocar um pouco?"

"Creio que não vai conseguir", respondeu o homem. "Levei muitos anos para aprender."

E Ole replicou:

"Deixe-me tentar."

Em seguida, ele pegou o maltratado instrumento, ajeitou-o ao ombro e começou a deslizar o arco sobre as cordas.

Imediatamente a choupana do velho eremita se encheu de uma música divinal. Diz a história que o velho chorou como uma criança.

Nós somos como esse instrumento velho e batido. As cordas das nossas vidas estão rebentadas, o arco entortado.

Entretanto se permitirmos que Deus nos pegue e nos toque, Ele produzirá, com esse instrumento velho, quebrado, batido, amassado e marcado, uma música digna dos ouvidos dos anjos.

Fontes no Vale
Lettie Cowman


Mestre dos Mestres

Jesus, certa vez, contou uma parábola que perturbou os seus ouvintes, quebrou para sempre alguns paradigmas religiosos.

Disse que havia um certo fariseu que orava de maneira eloquente. O conteúdo da sua oração revelava a sua integridade. Nela ele dizia a Deus que jejuava, dava ofertas e fazia orações constantes.

Na mesma história, Jesus contou que havia um pobre moribundo que mal conseguia falar com Deus, olhava para o céu, batia no peito e pedia compaixão.

Provavelmente não dava ofertas para o templo, não orava com frequência e não tinha um comportamento ético. Sentia-se um miserável diante de Deus.

Qual dessas duas orações foi aceita por Deus?

Se houvesse uma pesquisa em que opinassem todos os religiosos do mundo provavelmente o fariseu ganharia disparado.

Entretanto, para o espanto dos ouvintes, Jesus disse que sua oração não foi ouvida, não atingiu o coração do Criador.

Por que? Porque ele orava de si para si mesmo. Enquanto orava ele se exaltava. Não procurava Deus no secreto do seu ser. Segundo Jesus, Deus olha para algo que quem está de fora não enxerga: para a consciência, a real intenção.

O Mestre Inesquecível
Augusto Cury

domingo, 22 de março de 2009

Histórias de Sucesso

Ao ler o texto de Antoine Saint-Exupéry, fiquei um tempo com meus pensamentos.

Lembrei de alguns alunos que passaram pela minha vida e que se tornaram meus amigos. Lembrei de outros que passaram e com os quais não tenho mais contato e lembrei de outros que ainda estão passando.

Suas histórias, misturadas à própria história de minha vida... E aí, me veio à mente uma delas. Quero compartilhá-la como outras que tenho compartilhado. Como não tenho mais contato com essa aluna, resolvi omitir seu nome para preservar sua intimidade. Mas é uma verdadeira história de sucesso.

Eu comecei a dar aulas de Direito Eleitoral em 2004. Os rumores de um novo concurso para o TRE-RJ fez com que eu me dedicasse à disciplina. Me apaixonei pelo Direito Eleitoral.

Tinha uma pequena sala e ali comecei as aulas. Logo estava em alguns cursos preparando para o concurso que só viria a ser realizado em 2007. Mas muitos outros TREs aconteceram durante o período em que esperávamos o do Rio.

Em 2005 fui convidada pelo professor Márcio Coelho a assumir algumas turmas no Curso MG. Foi lá que a história dessa aluna se transformou também na minha história.

Eu possuo uma blusa que traz dizeres aleatórios, misturando os Salmos 23 e 91.

Eu a usava vez ou outra para dar aulas, mas não sabia que a mensagem nela escrita teria um papel importantíssimo na vida de alguém.

Era um dia como outro. Me aprontei para a aula e vesti minha blusa... "mil cairão ao seu lado... o Senhor é o meu refúgio, minha morada... Nele confio...o Senhor é o meu pastor... nada me faltará..."

Entrei na sala de aula. Estava lotada de alunos sonhando com uma aprovação no TRE-RJ. Em meio a esses alunos, havia uma mulher. Lógico que nada nela me chamou a atenção em primeiro momento. Para mim, era apenas mais uma aluna. Não imaginava o que viria.

Um dia, ao final da aula, estava saindo da sala quando essa aluna me chamou. Tinha lágrimas nos olhos. Parei. Os alunos já tinham se retirado e poucos ainda estavam na sala. Ela me contou sua história.

"Raquel, queria falar uma coisa. Eu me matriculei nessa turma sem nenhuma perspectiva. Estou com muitos problemas, estou me separando, tenho dois filhos, minha vida está de cabeça para baixo. Não tinha ânimo para estudar, parecia mais uma fuga, mas no dia em que você entrou com aquela blusa eu percebi que era um sinal. Ao ler a mensagem me senti renovada, alguma coisa mudou em mim".

Lógico que me emocionei. Não esperava.

Então, aquela aluna deixou de ser mais uma na turma. Chegava às aulas e a procurava. Queria ter certeza de que ela não desistiria. Queria oferecer ajuda, o ombro, a mão, qualquer coisa que a ajudasse a seguir. E ela não desistiu. Esteve ali durante todo o módulo e em outros, outros e mais outros. Dedicou-se o mais que pôde. Conseguiu, em meio a todas as suas dores, em meio a momentos de insegurança... Era uma aluna participativa. Tinha um sonho, queria realizá-lo.

Chegou 2005. Um edital do TRE-SC.

Ela e outro aluno que ainda persegue seu sonho, mas cujo rosto está presente vez ou outra em minhas turmas, vieram me perguntar se deveriam fazer o concurso. Ele queria muito ir, ela não. Achava que não estava preparada. Estava desanimada.

Nada disso!!! Faça. Aproveite que tem companhia, vá e preste o concurso, foi minha injeção de ânimo. Como saberá se não tentar?

E ela foi. Perguntava sobre as cidades de Santa Catarina. Pesquisou algumas e escolheu. Fez a prova. Eu estava desesperada para saber o resultado. Eles voltaram. Ela achava que tinha se saído bem, ele, nem tanto.

O resultado. Minha querida aluna ficou classificada em primeiro lugar na região escolhida. Sua vida??? Até o momento em que soube, havia se reconciliado com seu marido, estavam indo todos para Santa Catarina.

Eu ainda a vi em alguns módulos do TRE-RJ durante suas férias no TRE-SC. Disse que não desistiu. Queria voltar para o Rio e prestar o concurso daqui. Hoje, não sei onde está, se no Rio ou em Santa Catarina, mas sei que passou pela minha vida e deixou muito da sua. Passou pela minha vida e me ensinou mais uma vez que não há obstáculo que resista à vontade de vencer e seguir.

Obrigada!

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Ensinaram-me que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... Assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos tornaram-se meus amigos e isso não tem preço.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Lucianos, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

Postagens