domingo, 20 de janeiro de 2013

Quando o amor fala mais alto

Havia um pai, cujo caráter foi forjado no fogo da rigidez e nas trilhas do sofrimento. Era um homem antigo, de antigos conceitos e severas convicções. 

Esse pai, de muitos filhos, não concordava com todas as suas escolhas, mas acima da dureza das batidas na bigorna que constituíram sua trajetória, ele soube colocar o mais lindo dos sentimentos, o amor. 

Certo dia, o pai soube que uma de suas filhas passava por provações. Não, não era uma criança, era uma filha já de certa idade. Mas isso não importava para o pai. 

Ele, de mãos dadas com um neto que criara como filho, partiu em direção à filha. Chegando ao destino, após longas horas de viagem, foi convidado a entrar. 

O pai tinha uma mania engraçada. Mãos nos bolsos da calça, percorria cômodo por cômodo, observava cada detalhe. Percebeu que a filha não possuía muita coisa. Constrangida, a filha disse que não poderia oferecer-lhe um café, pois não havia fogão. 

O pai, firme como sempre, tomou o neto pela mão e saiu. Voltou com algumas sacolas. Nelas haviam vários tipos de alimentos, suficientes para lancharem sem que uma só chama fosse acesa. Comeram, conversaram sobre várias coisas, riram, brincaram e o dia foi passando. 

Hora do almoço. A filha, novamente sem saber como dizer, não poderia preparar-lhe algo. O pai, percebendo a sua angústia, olhou em seus olhos e disse: "filha, não se preocupe com a comida. Eu vim por outro motivo. Soube que seu aluguel está atrasado e que não tem dinheiro para pagá-lo. Eu vim pagar o seu aluguel." Entregou o dinheiro e pediu que ela o conduzisse ao ponto de ônibus para que retornasse. 

Nos olhos do pai a tristeza de não ter podido fazer mais. No coração da filha, a lição de que nunca mais permitiria que seu pai, já idoso, atravessasse qualquer distância, para gastar seu pouco dinheiro com ela. Saiu a procurar emprego, fez novas escolhas, umas certas outras erradas. O pai apenas observava. Sabia que só o amor e não o ódio era capaz de transformações, que apenas o perdão e não a intransigência era capaz de mudar caminhos. 

Raquel Tinoco


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Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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