domingo, 4 de abril de 2010

Mestre dos Mestres

Era domingo. Cléopas e seu amigo saíram de Jerusalém em direção a Emaús. Iam para casa.

Desolados, corações destruídos pelos últimos acontecimentos. Procuravam entender. Faziam perguntas um ao outro sem que as respostas viessem. O que ocorrera? Por que o mataram?

Cabisbaixos, falavam entre si.

Por vezes, lágrimas escorriam de seus olhos. Em suas mentes as imagens daquele dia terrível!!! A dor, a crueldade, a indiferença... Como tiveram coragem de maltratá-lo tanto?

Estavam tão perturbados que não conseguiram deixar Jerusalém até aquele momento. Três dias se passaram e eles permaneceram ali, com os outros seguidores, procurando respostas e chorando. Uns tentando consolar os outros.

Repetiam baixinho o seu nome, como para assegurar que jamais o esqueceriam.

Ainda teriam que caminhar aproximadamente onze quilômetros até que estivessem em casa.

Histórias se espalhavam por Jerusalém. Algumas mulheres foram visitar o sepulcro e o corpo não estava lá. Várias suposições.

Um peregrino se aproximou e juntou-se a eles. Olharam-no por um momento e o cumprimentaram.

O peregrino, interessado na conversa dos dois companheiros, perguntou-lhes: “que palavras são essas que, caminhando, trocam entre vocês e por que estão tristes?”

Cléopas apressou-se em responder: “É peregrino em Jerusalém, e não sabe as coisas que nela aconteceram nestes dias?”

- Quais?

- As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo. Como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação e à morte e o crucificaram.

E nós, que esperávamos que fosse ele o que remisse Israel. Mas agora já é o terceiro dia desde que tudo aconteceu.

É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam. Foram de madrugada ao sepulcro e, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto anjos, que diziam que ele vive. Alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro e constataram que as mulheres diziam a verdade, porém, a ele não viram.

O peregrino, surpreso, argumentou: “Não entendo. Não se lembram de tudo o que os profetas disseram? Não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?”

E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que do Messias se achava em todas as Escrituras.

Quando chegaram à aldeia para onde iam, a noite se aproximava. O peregrino despediu-se deles e intentou continuar sua caminhada.

Cléopas não permitiu. Insistiu para que ele ficasse. “Não vá, já é tarde e já declinou o dia. Fique conosco.”

O peregrino concordou. Cléopas apressou-se em preparar o jantar. Estavam todos à mesa e gentilmente solicitaram ao peregrino que tomasse o pão, o abençoasse e o partisse.

O peregrino tomou o pão, o ergueu e o abençoou. Num gesto familiar, começou a repartir o pão.

Não é possível!!! Cléopas olhou para o companheiro. Seu amigo estava estático, seu olhar fixo naquele gesto. Não podia crer no que via. Seria verdade, então? Seus olhos não o estavam traindo? Balançou a cabeça e dirigiu o olhar a Cléopas. Seus olhos se encontraram e perceberam que ambos tinham concluído a mesma coisa. Era Ele!!! Era Ele!!! Era o Mestre!!! Jesus, o Nazareno!!!

Dirigiram seus olhos ao peregrino, mas Ele já não estava mais ali. Fora embora.

Como puderam ser tão tolos? Não perceberam em suas palavras, durante todo o trajeto? Não reconheceram o olhar... a voz? Como puderam ser tão incrédulos? Ele havia dito que ressuscitaria. Como puderam ser tão cegos?

Não importa!!! Vamos, temos que voltar. Temos que contar a todos que Ele esteve conosco.

Cléopas e seu amigo retornaram a Jerusalém, mais onze quilômetros. Não conseguiriam dormir aquela noite. Precisavam ir. Seus corações ardiam.

Muitas vezes não O percebemos, mas Ele está conosco. Mais perto do que imaginamos. Muitas vezes, nossos olhos e corações, cegos de incredulidade, não nos deixam reconhecer nos gestos, na voz, no olhar, o Seu amor por nós.

Raquel Tinoco

Baseado em Lucas 24: 13-33.

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Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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