segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Desafiando os Gigantes

O Gigante Arrogância

Quando eu tinha 16 anos de idade, trabalhava na Cia Fluminense de Tecidos, conhecida popularmente como Manufatora. Ficava no Barreto, Niterói.

Uma vez lotado no Departamento Pessoal, fui designado pelo meu chefe para ir à 2ª Junta de Conciliação e Julgamento de Niterói, a fim de solicitar a uma determinada pessoa, o adiamento de um julgamento trabalhista.

Meu chefe me deu as características do assistente do juiz com o qual eu precisaria falar.

Quando lá cheguei, logo o identifiquei, pois era o vogal à esquerda do juiz.

Subi à tribuna, me curvei e falei baixinho próximo ao seu ouvido: “O senhor é o Dr. Fulano de tal?”

Ele me olhou meio de lado e meneando a cabeça em sinal negativo, apenas me disse com o peito cheio de ar: “Digníssimo”.

Tive que me conter para não dar uma das minhas gargalhadas.

Então perguntei-lhe novamente: “O senhor é o Dr. Digníssimo Fulano de Tal?”

Aí ele respondeu: “Isso mesmo”.

Entreguei-lhe o pedido e fui embora. Essa é a idéia que eu tenho de arrogância: uma pessoa cheia de si.

Soube depois que ele não era juiz togado, mas juiz classista, uma classe extinta no judiciário brasileiro.

Há 5 anos atrás um antigo funcionário daquela empresa me informou que esse juiz estava sobre uma cama, às últimas, com câncer. Orei por ele.

Gosto muito de ler sobre João Batista na Bíblia.

Em Marcos 6:20 temos um versículo simplesmente impressionante, pois diz: Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo...

Herodes era chamado de rei, tinha a autoridade romana, tinha exército ao seu lado e possuía muitos bens.

E João, quem era?

Um homem que só tinha uma peça de roupa e comia um só tipo de comida - gafanhotos e mel (Mateus 3:4) - além de morar no deserto.

Como explicar então Marcos 6:20?

Simples, o homem só é verdadeiramente respeitado por suas credenciais morais e espirituais.

Há muita gente que se impõe pelo dinheiro, pelo cargo que ocupa, pela intimidação.

João, não.

As pessoas o admiravam e o respeitavam porque nele havia coerência entre o que vivia e o que pregava.

Esse é o homem que eu quero ser, um homem coerente, um homem de verdade, justo e santo.

Deus, ajuda-me simplesmente a ser homem de verdade, vazio de mim mesmo e cheio do Teu Espírito Santo! Amém!

Pr. Corel

2 comentários:

Amanda disse...

Que bonita história.. a arrogância, na minha opinião, a primeira vista, nos causa indignação, mas depois olhando com calma vemos que essas pessoas sofrem é de pura falta de amor e precisam muito do perdão e luz divina..As vezes, pesquiso sobre São João Batista, pois nasci no dia dele! Mas, nao sabia desses detalhes aqui...Acredito que há um meio de estudar e entender a Bíblia e o sentido figurado das palavras que lá se encontram né..ou talvez hábito de pesquisar. Que legal saber mais dele.Obrigada!
bjs

Professora Raquel Tinoco disse...

Oi Amanda, tudo bem? Sim, é verdade, tem toda razão. Essas pessoas são infelizes. Há sim, um meio legal de lermos a Bíblia e entendê-la. Se quiser algumas dicas... Beijos

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Me ensinaram que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... e assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos se tornaram meus amigos e isso me faz seguir.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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