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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Nina

Olá, tudo bem? No dia 26, após o Natal, recebi da Kátia um apelo para orar em favor de uma cachorrinha. Ela foi atropelada e desapareceu. Não sabiam onde estava.

A Kátia está sempre presente aqui no blog com as histórias do Marvin.

"Raquel,

Ia te escrever contando que minha cunhada veio de São Paulo com os dois dauschands, Roy e Nina, passar o Natal... até tirei foto deles. E hoje, nesta noite de Natal, Nina fugiu, e infelizmente foi atropelada. Saímos correndo, andando e de carro, todos à procura, mas, na esquina, o borracheiro informou-nos que ela foi atropelada. O carro não deu socorro. Felizmente, uma alma iluminada, possivelmente veterinário, numa hilux prata parou, fez massagem e a colocou no carro. Ela tem 4 anos, é da minha sobrinha Olívia, de 10 anos. Estamos ligando para as clínicas, mas não conseguimos encontrá-la. Estou mandando esse e-mail, porque acredito em Deus e como sei que a sua oração é poderosa, sei que qdo ler este e-mail, vai orar por ela, que esperamos estar viva e sendo medicada.

Obrigada,

Kátia"

Então, na hora do almoço, minha família reunida, oramos para que Deus pudesse trazer a Nina até seus donos, que eles pudessem ter notícias de onde ela estava, do que havia realmente ocorrido. Ficamos muito felizes com o segundo e-mail da Kátia.

"Raquel, essa é uma história para colocar no blog: pode chamar de milagre, o que quiser, mas que foi Deus, ah foi!!!!

Agradeço as orações, pq hoje pela manhã, recebemos uma ligação de uma veterinária, da clínica perto da nossa casa (eu liguei somente para as emergências) dizendo que um casal estava com a Nina, e deixou o seu telefone de contato. Pulamos e choramos de alegria!!!!!!!!!!! Foi uma correria, vamos buscar a Nina!!!!!!!!!!!!!!

Assim aconteceu:

Naquela noite, qdo Nina fugiu, e correu, ela atravessou duas pistas, na volta, um carro passou e a atropelou. Ela saiu do 3º subsolo, passou pela garagem para a rua e deve ter corrido uns 300m. Uma hilux passava, dirigida por Helder, que estava com sua esposa, Luciane. - um casal jovem. Eles viram a Nina, e pararam para dar socorro, imediatamente. Eles estavam indo para a casa da mãe do Helder, que mora aqui perto, na Federação. Levaram para uma clínica num outro bairro mais distante, Imbuí, deixaram-na lá e pegaram no dia seguinte. Eles moram em Vilas do Atlântico, já considerado Lauro de Freitas, bem longe daqui, cerca de 60km de Salvador. Hoje pela manhã, assim que recebemos a ligação fomos buscar Nina: eu, Ana (cunhada), Olívia (sobrinha) e Sr. Edmundo (pai da Ana). Nina teve fraturas na bacia e no septo nasal. Está com um pequeno sangramento no nariz, mais magra, com pequenos arranhões pelo corpo. Não precisará de cirurgia, mas tem que ficar em repouso e está tomando 3 remédios. Mas a danada já até andou. Qdo chegamos, ela quase não reconheceu Ana, minha cunhada. Mas se animou e Ana a pegou. Qdo o Helder foi mostrar a Ana como deveria pegá-la (por causa da bacia), a Nina já deu uma mordida no Helder, que coisa... se sentiu segura, pensou que ele iria tomá-la de Ana???? O Helder e a Luciane são ainda aquelas almas raras que param qdo vêem um animal machucado e dão socorro: eles têm na sua casa 11 cachorros, de várias raças, todos de rua....

Esta foi a primeira vez que salvaram e conseguiram achar o dono. E gastaram, sem pensar se teriam ou não aquele dinheiro de volta (pq é caro internar de emergência, remédios etc). Qdo chegamos lá, eles nos atenderam super bem, explicaram as orientações do veterinário e nós agradecemos muito!!!!!! Qdo voltamos para Salvador, Nina recebeu as lambidas carinhosas de Roy e Marvin.

Almoçando, eu, minha mãe, minha cunhada (Ana), minha sobrinha, minha irmã e Sr. Edmundo, falando quase todos ao mesmo tempo, e aquela euforia, a Nina deu um pulo sozinha da cama.... melhor um ficar vigiando, ela não quer ficar sozinha.... Eu lancei a pergunta: e o que
cada um vai mudar em si depois disso tudo?

Minha mãe respondeu: agora vou contar essa história, mesmo com toda violência, ainda existem pessoas generosas como o Helder e a Luciane. Não, eu quero saber, como cada um vai ser melhor? Como vou agir de agora em diante? Fica a reflexão, pq presentes de Natal como esse não acontecem sempre!!! Beijos, e até mais!

Kátia, Nina, Roy e Marvin

Raquel,

FALTOU DIZER O PRINCIPAL: de que em nenhum momento perdemos a fé de que a acharíamos e que ela estaria viva, ah e que agradecemos MUITO a DEUS pelo presente de Natal!!!!!

Ka".







Bem...

Agradeço a confiança da Kátia, mas quero apenas tecer uns poucos comentários.

1. Kátia, toda oração, se feita com fé, tem poder. Deus está ali, pronto a ouvir as súplicas dos seus filhos. Em Jeremias 29:13, temos a seguinte afirmação: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração."

2. A fé traz consigo transformação, reflexão, crescimento. Kátia entendeu isso muito bem. Quando sentiu que precisava refletir e mudar algo em si e questionou os outros.

Feliz 2010 a todos vocês, inclusive Nina, Roy e Marvin.

Feliz 2010 Helder e Luciane. Deus os abençoe.

Foto 1: Nina antes de ser atropelada
Foto 2: Marvin e Nina


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ruth

Ontem acrescentei um contador ao blog. Um contador diferente. Ele conta diariamente uma das nossas maiores vitórias.

Ele está intitulado "Ruth Tinoco da Costa" e até pensei em adicionar um contador automático, on line, mas percebi que se fizesse isso, não estaria participando da comemoração.

Então resolvi diariamente contar os dias, eu mesma e, a cada dia agradecer a Deus.

Preciso lembrar diariamente que eu creio em milagres e que eles ainda são realizados.

Preciso crer que não há impossível que não seja possível.

Preciso crer que não há montanhas intransponíveis.

Preciso crer que não há empecilhos aos que creem.

Preciso crer que os sonhos de Deus jamais morrem.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ruth 3

Você acredita em milagres? Vou lhe contar um.

Estamos em casa, recebemos alta hoje.

Mas tem muito mais... muito mais...

Minha mãe se casou aos 16 anos, quase 17. Era uma menina da roça, humilde e sem muitas pretensões, apenas a de ser feliz. Teve dez filhos. Hoje, oito vivos.

Meu pai, um belo "gajo", tinha 25 anos ao se casar e a vida extemporaneamente o fez gigante. Era mineiro e veio para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até morrer em 2004.

Ele era o cabeça da casa. Minha mãe deixou-se guiar por ele e confiou sua vida em suas mãos. Permaneceram casados por 61 anos.

Por isso quando falo de minha mãe, talvez estranhem o jeito. Mas ela era totalmente dependente do meu pai.

Sempre pensamos que minha mãe morreria antes que meu pai, pois acreditávamos que se meu pai a precedesse, ela não suportaria muito tempo. E foi aí, a despeito de todas as nossas suspeitas que a força de minha mãe se revelou.

Após a morte de meu pai, a saúde de minha mãe piorou consideravelmente. Os problemas se agravavam. Diabetes e alguma coisa em seu abdômen que os médicos não descobriam. Mas havia risco de morte. Nos disseram que precisavam descobrir a causa do problema, pois minha mãe poderia morrer subitamente.

Ela foi internada em julho de 2005 para fazer exames e descobrirem a causa de sua doença. Mais ou menos um mês depois, foi diagnosticada uma massa cística em seu abdômen que retinha líquido. Foi submetida a uma cirurgia e ficamos mais um mês no hospital para que se recuperasse. Os antibióticos utilizados intoxicaram seus rins e eles paralisaram em setembro de 2005. A partir daí começaram as sessões de hemodiálise.

Ela não entendia muito bem o que estava acontecendo. Nós sempre a alertávamos que se não se cuidasse, poderia ficar "naquela" máquina e ela respondia que se tivesse que ficar "naquela" máquina, preferia morrer. Talvez, por isso, a terapia de minha mãe fosse tão difícil para mim.

A hemodiálise consistia em três sessões semanais, de quatro horas cada.

O que mais doía, entretanto, era a restrição de líquidos, especialmente água. Tínhamos que inventar mil maneiras de não lhe dar água e isso rendia muitas brigas.

Mas ela não desistia e nem nós. Orávamos, orávamos e orávamos para Deus nos revelasse o propósito de tudo aquilo, pois eu cansei de ver minha mãe suplicar-Lhe que não a deixasse ficar "naquela" máquina.

Lá se vão quase quatro anos de batalha. Ultimamente, entretanto, minha mãe vinha piorando. Os leitores e alunos que me conhecem e têm acompanhado minha luta, sabem que não é de hoje que precisava adiar aulas, faltar etc. em virtude do problema de minha mãe.

Cada sessão de hemodiálise era, para nós, uma vitória. Vimos minha mãe saindo carregada, desfalecendo, agulhas no braço, cateter etc.

Sofríamos, chorávamos, ali na sala de espera, aguardando o fim de mais uma sessão. Daqui a pouco vinha ela, às vezes bem, às vezes mal, mas sempre sorrindo, tentando demonstrar que estava tudo bem.

Mas não sabíamos a suspresa de Deus. Desconfiei que Ele estava preprando alguma coisa ao permitir que ela ficasse internada em seu aniversário. Não era possível!!! Todos os dias nos ajoelhávamos diante de sua cama e orávamos, chorávamos baixinho, suplicávamos que Ele cuidasse dela, que não permitisse que minha mãe morresse "naquela" máquina. Eu pedia isso cada vez que a sessão começava. Lembrava a Ele do quanto ela orava, do quanto pedia. Cobrava dEle alguma providência. Às vezes me sentia impotente e desabava. Mas, logo alguma coisa acontecia para nos reerguer.

Há dois meses, aproximadamente, vocês sabem, minha mãe, devido a uma revisão de fístula, começou a exteriorizar problemas em seu sistema venoso (trombose e estenose). No dia seguinte ao do procedimento, o braço dela amanheceu muito inchado. Sua mão estava azul, cianótica. Como acompanhante de uma doente renal crônica, pude ver, muitas vezes, essa mesma história. O final, quase sempre era infeliz. Me desesperei. Voltei ao médico e questionei o inchaço. Ele me explicou com termos técnicos que isso era natural. Eu não me conformava. Voltei ao médico e questionei quanto à necessidade de novos exames. Ele disse ser desnecessário. Enquanto isso, o braço apenas piorava. Em uma das sessões de hemodiálise, a médica, assustada com o tamanho do braço, nos chamou e disse que minha mãe corria o risco de perdê-lo. Era tudo o que eu não queria ouvir. Resolvemos procurar outro cirurgião vascular e a cada consulta, perguntávamos sobre o risco de amputação. A resposta era sempre negativa e lá vinha uma novidade, mas nenhuma solução.

O meu desespero aumentava na mesma proporção que o seu braço crescia. Orava e perguntava a Deus o propósito. Nada. Como minha mãe dizia: "Ele ficou quieto".

No dia 10 de junho, após a terceira tentativa de desobstrução e ligadura de perfurante, sei lá mais o quê, nos dirigimos à clínica de hemodiálise. O braço já estava completamente rijo, uma coloração avermelhada, quente, muito quente. Começava a doer. A médica recusou-se a puncioná-lo, graças a Deus, pois eu questionava cada punção naquele braço.

Agora quem se desesperava era a médica. Disse que minha mãe precisava ser internada imediatamente para uma sessão de DIÁLISE, pois seu principal problema naquele momento não era o braço, mas sim, sua disfunção renal. Eu não concordava.

Depois de várias ligações, nos encaminhou para o Hospital Central da Aeronáutica, onde a equipe da nefrologia daria um jeito de "fabricar um acesso" para dialisar. Nos disse que, possivelmente, o acesso seria pela barriga e que ela ficaria dialisando por 24 horas.

Eu morri. Não conseguia imaginar minha mãe sendo submetida a mais esse estresse. Mas ela afirmava que isso salvaria sua vida. Liguei para minha família e expus a situação. Decidimos, eu e meu marido, nos dividir. Ele seguiria para o HCA (nefro) com a minha mãe e eu, para o HFAG (vascular), tentando que eles realizassem o procedimento de desligamento da fístula.

Mas naquela noite, após orarmos, durante o sono, eu senti fortemente a sensação de que não deveria levar minha mãe ao HCA. Deveria seguir com ela primeiro ao HFAG. Desobedeci à ordem médica. Perguntei ao meu marido se ele concordava. Liguei para um dos meus irmãos e perguntei se ele apoiava a minha decisão. E foi o que fizemos.

No dia 12 de junho, seguimos com minha mãe para o HFAG. Encontramos a equipe da cirurgia vascular e em quinze minutos estávamos com sua internação autorizada para domingo à tarde. O procedimento de desligamento da fístula seria feito na segunda-feira. Nos avisaram que no mesmo dia seria colocado um cateter para que houvesse condições de diálise.

Eu tinha sempre um mesmo pedido a Deus. Se não fosse da vontade dEle, que os médicos não conseguissem puncionar artéria, veia, fosse o que fosse. Por três vezes ela entrou no centro cirúrgico e saiu sem catater. Mas seu braço desinchava.

Marcaram a colocação de um cateter peritoneal no dia seguinte. Era a única possibilidade de diálise. Novamente oramos. Daqui a pouco minha mãe retorna sem cateter. Várias explicações e uma transferência para o HCA.

Naquele dia, pela manhã, após orar, fui atualizar o blog e me veio à mente Romanos 8. Sabendo da transferência, me dirigi à capela do hospital onde estava sendo realizado um culto. Entrei e compartilhei. No final, o dirigente pediu que expuséssemos nossos pedidos de oração e eu permaneci calada. Ele me olhou diretamente e voltou a perguntar. Não resisti. Pedi por minha mãe. Ele orou por todos os pedidos, mas após a oração, olhou-me de novo diretamente e recitou Romanos 8: 31 e 37. Soube, naquele momento, que Deus me falava ao coração.

Paulo, meu marido, a acompanhou em uma ambulância e eu pedi que, ao chegar lá, ele relatasse o seu estado de saúde e solicitasse uma pesquisa para comprovação da necessidade da terapia renal, uma vez que minha mãe sempre eliminou muito líquido através da urina, condição que nos intrigava, pois havia restrição hidríca severa.

Confiávamos que toda essa saga provinha da mão de Deus. Paulo fez exatamente o combinado e enquanto aguardava a internação por duas horas, coletaram sangue para análise.

Ela foi internada no dia 17 de junho, véspera do seu aniversário de 83 anos. Havia algo no ar. No dia seguinte, as médicas que cuidaram dela em 2005 chegaram ao quarto. "Olá, onde está a D. Ruth?"

"Está tomando banho", respondeu Paulo.

"Tomando banho? Como assim? Ela está lúcida, consciente?"

"Sim, vejam, entrem no banheiro e conversem com ela."

Elas entraram. Conversaram com ela e sairam com uma expressão estranha nos olhos. Chamaram-no fora do quarto.

"Quantos dias sem diálise?"

"Quinze."

"Quinze??? Espere um pouco. Vamos pedir um exame de sangue."

"Mas ela já fez exame. Ontem."

Foram buscá-lo. Voltaram correndo. "Olhe, uma coisa eu já adianto. Ela não precisa de diálise."

Eu chegava nesse momento. Paulo me chamou. Pediu que me apressasse. Me aproximei. A médica continuou.

"Eu não posso garantir, mas quem precisa de hemodiálise não fica quinze dias sem fazer. Esperávamos encontrar uma paciente em coma à beira da morte. Ela não fará cirurgia nenhuma. Vamos fazer exames, monitorá-la e aguardar o resultado."

Eu sorri. Seria esse o presente?

Hoje pela manhã, a mesma rotina. "Raquel, quero água." "Não posso dar-lhe. Está em jejum. Vai fazer exame de sangue e sabe muito bem que não pode beber muita água."

Algum tempo depois, outra médica. Examinou-a. Fez perguntas e disse que ela teria alta. Recomendou uma dieta severa, marcou uma consulta, pediu exames e disse que minha mãe deveria tomar MUITA ÁGUA. kkkkk

Nos olhamos. O quê??? Água??? Ficamos loucos!!! "Não entendi mais nada." Disse o Paulo.

Ela nos olhou e respondeu que o doente renal que elimina líquido deve tomar muita água.

Minha mãe, que ouvia atentamente, sorriu e pediu: "quero água".

Com prazer, enchemos um graaaaande copo. Ela bebia e chorava de alegria. Mais um copo. Mais um copo. Nos confessou mais tarde: "só não pedi mais porque fiquei com vergonha."

"Agora posso parar de sonhar que furo um poço, que estou em um oásis no deserto, que estou tirando muito leite de uma vaca. Não preciso mais pedir uma caneca de água do mar. Posso até comer melancia." kkkkkk

Era assim que minha mãe acordava todos os dias. Cada noite um sonho. Ela passava a noite furando um poço e quando via a água "azulzinha", não podia tomar.

Em casa, na sua cama, nos segreda: "Hoje posso morrer, pois estou feliz, muito feliz."

Ao nos ajoelharmos esta noite para orar à beira de sua cama, fomos agraciados com a seguinte declaração: "Senhor, eu te amo."

Faço minhas suas palavras. Senhor, eu te amooooooooooooo

II aos Coríntios 4:8 e 9.

Em tudo somos atribulados, mas não angustiados.
Perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados.
Abatidos, mas não destruídos.

Se você chegou até aqui, quero compartilhar um vídeo. Em muitos momentos, durante toda a luta da minha mãe pela sua vida e saúde, eu e minha irmã Cely, nos ajoelhamos, oramos e choramos ao som de "Soldado Ferido".

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ruth 2

Talvez você nem esteja se dando conta, afinal o lugar não importa. O que importa mesmo é que eles, seus filhos, se lembrem do dia, que peguem seus telefones, que saiam de suas casas e estejam presentes. Onde estiver. Isso é o que importa.

Desde domingo está "presa" em um hospital, como você mesma diz.

Pede que eu a traga comigo todos os dias. Mas não posso.

Quisera eu poder arrebatá-la e fugir como fazíamos na minha infância.

Quando sentia saudades do seu povo e sem saber o caminho, me pedia, eu, uma menina de poucos anos, sete ou oito talvez, que a levasse.

Então saíamos, as duas, por aquele beco, naquele bairro, atravessávamos aqueles trilhos e fugíamos até o outro lado do mundo. Sim, porque para mim, era o outro lado do mundo.

Nem sei como conseguíamos chegar ao nosso destino, eu apenas decorava os ônibus e o lugar onde deveríamos saltar. Você era conduzida por uma menina. Uma menina guiando pela mão, sua mãe.

Sair de Senador Camará e chegar a Itaguaí era uma aventura que eu adorava. Me orgulhava de nunca errar o caminho. Orgulho de criança. Me orgulhava em contar como a salvei do trem, quando quase fomos atropeladas, lembra? Eu apenas a empurrei para longe dos trilhos e pulei. Duas crianças...

E aquele dia em que aquela vaca veio em nossa direção e foi chegando cada vez mais perto? Que pavor!!! Os chifrões dela eram enormes. Eu fiquei na sua frente como se pudesse protegê-la. Ainda bem que ela desistiu de nós. rsrs

Nossas aventuras eram demais!!! Lembra quando voltávamos da Igreja? Tínhamos que atravessar todo aquele quintal cheio de laranjeiras e, papai, que economizava cada centavo, não deixava as luzes acesas. Apenas uma, no início do caminho. O resto era um escurão. Íamos grudadas, morrendo de medo. Aquelas sombras nas árvores... uuuuui

De repente, um cavalo saiu de trás de uma delas. Nem deu tempo para saber quem correu primeiro. kkkk Só sei que, aos gritos, chegamos em casa rapidinho. kkkkk

E ríamos... ríamos...

Mas você não mudou. É a mesma criança. Onde chega todos a amam, pois não conseguem parar de rir.

Essa sua alegria contagiante nos faz fortes para enfrentar qualquer coisa.

Age como se nada estivesse acontecendo. Eles chegam e dizem que nao foi possível realizar o procedimento porque não há acesso para que seja sedada.

Mas você está feliz. Feliz porque seu braço já não está tão inchado. Eles a transferem de um hospital a outro e nem sabem que dia é hoje.

Nem sei se eles sabem o que fazer, nem mesmo sei se eles esperam fazer alguma coisa, mas acreditamos que estão tentando. Eu e você acreditamos. Mas eles não imaginam...

Que presente será, mãe, que Deus lhe tem reservado?

Feliz Aniversário!!!! Eu a amo demais.

domingo, 14 de junho de 2009

Ruth

Olá meus queridos.

Hoje, domingo, não haverá postagens. Tomara que sintam falta.

Minha mãe será internada no Hospital da Força Aérea do Galeão para, amanhã, dia 15, ser submetida a mais um procedimento cirúrgico.

Durante dois meses temos tentado solucionar o problema de uma fístula que provocou um enorme inchaço em seu braço esquerdo. Os que acompanham o blog certamente leram a postagem do dia 06 de abril, quando narrei o início de tudo isso.

Desde então temos enfrentado várias lutas em uma batalha que parece estar chegando ao fim.

O último procedimento cirúrgico realizado no dia 08 de junho constatou que não há mais acesso venoso para a colocação de fístula ou cateter. Amanhã vão tentar mais um canal para que ela seja submetida a sessões de diálise até que um cateter peritonial seja instalado e ela passe a realizar a terapia em casa.

Agradeço imensamente a torcida, as orações, as mensagens e tudo o mais que me é enviado por vocês. É a corrente do bem. Obrigada. De verdade. Que Deus os abençoe. Gratificante saber que não lutamos sozinhos.

Deus, é verdade, é comandante em todas as batalhas e o resultado, sabemos, é sempre vitorioso, pois com Ele não há derrota.

Entenderam? O resultado, qualquer que seja, é SEMPRE VITORIOSO. Seja vida, seja morte, é sempre VITÓRIA. Pois a morte para nós não é o fim, mas o começo de uma nova vida, e que vida!!!

O que pedimos a Deus é que Ele nos conduza sempre e que nos faça fortes para enfrentar todas as batalhas dessa guerra.

É gratificante sabermos que não lutamos sozinhos. Temos vocês. Obrigada mais uma vez.

O mais valente soldado desta contenda, luta bravamente e não desiste. Fica apreensiva, às vezes, por um relance sente medo, tem vontade de chorar e já a ouvi dizendo que Deus poderia levá-la, pois já cumpriu sua missão e não gosta de me dar trabalho. Mas logo levanta a cabeça, ora, canta e em não raros momentos a ouvimos assoviar um cântico.

Imagino que já saibam de quem se trata. Sim, ela, Ruth, cujo nome hebraico significa COMPANHEIRA.

Cresci ouvindo um hino, cujo título é "Castelo Forte".

"Castelo forte é nosso Deus, escudo e boa espada.
Com Seu poder defende os seus, a Sua Igreja Amada...
A nossa força nada faz, estamos sim perdidos
Mas nosso DEUS socorro traz e somos protegidos
Defende-nos Jesus, o que venceu na cruz
Senhor dos altos céus, que, sendo o próprio DEUS
Triunfa na batalha

Sim, que a palavra ficará
Sabemos com certeza
Pois ela nos ajudará com armas de defesa
Se temos de perder, familia, bens, poder
E, embora a vida vá, por nos Jesus está
E nos dará seu Reino!"

Só não sabia que castelos fortes existem bem perto de nós, muito mais do que imaginamos.

Amanhã, mais uma etapa de quem já venceu todas. Um beijo a todos e sei que continuarão torcendo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Uma História de Fé


Certo homem tinha dez filhos e o mais velho deles ficou responsável por recolher o gado.

O rebanho estava espalhado pelo pasto e recolhê-lo iria demorar um tempão. Então o filho mais velho pensou: "como fazer para que esses bois venham mais rápido? Já sei, vou colocar fogo no pasto." E assim fez.

Ao lado do pasto ficava um sítio onde há pouco tempo uma linda plantação de arroz se avistava.

O filho mais velho não esperava, mas de repente, o fogo começou a se alastrar. Um vento mais forte foi levando o fogo em direção ao arrozal. "Meu Deus, o que eu fiz? A plantação de arroz!!! O fogo vai destruí-la. Meu pai, além de ficar muito zangado ainda vai ter que pagar todo o arroz!!! Meu Deus. O que eu fiz?"

O filho mais velho correu em direção ao fogo, tentava apagá-lo, mas não conseguia sozinho.

Se lembrou dos ensinamentos do pai. Lembrou que o pai falava de um Deus que nos ajudava nas horas mais difíceis.

O filho mais velho caiu de joelhos, ali mesmo onde estava e começou a orar. Pedia ajuda, pedia socorro.

Sentiu uma gota de água cair em seu braço. Olhou para o céu e viu uma nuvem que se aproxiamava. Sentiu outra gota. Estava chovendo!!! Estava chovendo!!! Ele correu e com a ajuda da chuva conseguiu apagar o fogo e depois recolheu o gado.

O filho mais velho era meu irmão, Silas e já não está entre nós. Partiu em janeiro de 1987.
O homem era meu pai.

A história me foi contada por diversas vezes durante toda a minha vida e eu não cansava de ouvi-la. Hoje, não tendo mais a voz de meu pai nem a voz de meu irmão, prossigo contando a outros.

Foto: http://www.fotodependente.com/img1655.htm

Tudo começou quando...

meus sobrinhos, e não são poucos, resolveram fazer concurso para o Tribunal de Justiça.

Eu já estava trabalhando como Auxiliar Judiciário, aprovada no concurso de 1993. Pediram-me que desse aulas.

Então nos reuníamos na casa de um deles aos finais de semana e estudávamos. Comecei a elaborar apostilas que eram chamadas por eles de "apostilas da Que-Quel".

Ah, devo dizer que também não foi fácil pra mim.

Sou caçula de uma família com dez filhos.

Meus pais, muito humildes, não podiam fazer mais do que faziam. Todos tivemos que nos virar muito cedo.

Mas eles estavam ali.... movidos de esperança. Ensinaram-me que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa quantas vezes choremos... não importa se não chegamos em primeiro lugar... não importa se não alcançamos nossos alvos na primeira tentativa... não importam as adversidades... apenas continuem, dizia meu pai. E o via ali, praticando, ele mesmo, tudo o que ensinava.

E segui.

E então, como dizia, comecei a elaborar apostilas que foram ficando famosas... rsrs


No Fórum onde trabalhava, os colegas começaram a pedir que desse aulas. Mudei o local para minha casa e começamos a estudar.

E veio o concurso de 1997. Prova difícil.
Não obtiveram o êxito esperado. Mas não desistimos.

E veio o concurso de 2001. Estava já há algum tempo no TJ e resolvi que precisava mudar de cargo. Precisava passar para Analista. O que fazer? Pedi um mês de licença-prêmio e me tranquei em casa.

Prestem atenção. Tranquei-me!!! O tempo jogava contra mim. Minha licença foi deferida para 1º de julho de 2001 e a prova seria vinte e um dias depois.


Passava os dias lendo Codejrj e Estatuto e gravando a minha própria voz para escutar mais tarde, enquanto fazia outras tarefas.

Estudei o que pude, como pude.


E aí... em 2001 fui aprovada para Analista Judiciário (antigo Técnico Judiciário Juramentado). Gabaritei as questões de Codjerj e Estatuto.

Pouco tempo depois, estava trabalhando, quando um amigo, Vinícius, sabendo que eu havia gabaritado essas matérias, me convidou para dar aulas em Campo Grande-RJ.

Fui, morrendo de medo. Frio na barriga. Mas fui...

Lembra?? Jamais desistir!


Parece que gostaram... Daqui a pouco, ele mesmo , Vinícius, ao ser convidado para dar aulas em um curso da Barra, indicou meu nome para substituí-lo.

E lá fui eu... Assim, foram conhecendo meu trabalho.

Logo, estava sendo convidada para outro curso... e outro... e outro...


E tenho dado aulas desde então. A cada concurso, um novo desafio.

As apostilas da "Que-Quel" foram transformadas em apostilas da Professora Raquel Tinoco.

Amanda, minha sobrinha, está hoje no TJ-PR.

Outros sobrinhos seguiram rumos diferentes, sempre em frente, sempre na direção de seus sonhos. Estão chegando lá.


Meus alunos tornaram-se meus amigos e isso não tem preço.

Meu maior incentivo?? É acompanhar cada resultado e torcer por:

Admares, Alessandras, Alexandres, Alines, Amandas, Andréias, Andrezzas, Anicks, Arianes, Biancas, Bias, Brunos, Calixtos, Carlas, Carlos, Carlinhos, Carolinas, Carolines, Cidas, Christians, Constanças, Cristianes, Daniéis, Danielles, Deises, Denises, Diogos, Drês, Dris, Eneas, Fabíolas, Fábios, Fernandas, Filipes, Flávios, Freds, Giselas, Giseles, Ghislaines, Glórias, Hannas, Henriques, Ianos, Ilanas, Isabéis, Isabelas, Israéis, Ivanas, Ivans, Izadoras, Jackies, Jacques, Janes, Joões, Jeans, Julianas, Kayenes, Kátias, Lenes, Léos, Lúcias, Lucianas, Lucianos, Ludymilas, Luízas, Luzias, Magnos, Marcelas, Marcélis, Marcellas, Marcelles, Márcias, Marcys, Marianas, Marias, Megs, Meles, Mônicas, Patrícias, Pattys, Paulos, Pedros, Pritzes, Rafas, Rafaéis, Raphas, Raquéis, Renatas, Renées, Robertas, Robertos, Rodrigos, Rogérias, Silvanias, Simones, Sérgios, Suelens, Suellens, Tassianas, Tatis, Vanessas, Vicentes, Wilsons....

Deus os abençoe.

não desista!

não desista!

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